Fecho os olhos para lembrar os amigos. Na memória tem uma galera reunida às gargalhadas, curtindo momentos de pura distração sentados na esquina da Francisco Carlos com a Carlinda. Estão sempre ali, vendo a moda e tirando sarro uns dos outros. Risadas de tudo, que pessoal animado. Se não têm mais o que fazer? Eles estão fazendo muito: curtindo cada segundo e não deixando passar nenhum! Afinal a vida é isso, cada milésimo bem aproveitado não vai deixar arrependimento para depois, só mesmo a saudade...
Ali naquele lugar simples muita coisa aconteceu. Olhar aquela esquina é lembrar-se de todos sentados esperando a vez na pelada que acontecia na Francisco Carlos. Foi ponto de encontro para esperar todo o grupo se arrumar, porque o Baile no Antônio Huback já vai começar! E quantas outras festas começaram ali naquela calçada da esquina. Pegar jaca na casa da Rosinha, choques no fio desencapado do trailer da Andréia, jogo de totó disputadíssimo e até aquele namoro do lado do tal trailer na volta das baladas. Brigas também começaram naquela quina, quantas e quantas...
Atravessar a rua e comprar um refrigerante – desses em garrafa de cerveja – pra passar o tempo. Ah que tempo bom, até pingue-pongue dava pra jogar naquela esquina! Baralho, dominó... Tudo ali, em meio às bicicletas estacionadas e um monte de chinelos servindo de banquinho. É como ter um lugar para chamar de seu, todos sabiam, vou pra lá e logo alguém chega, como se fosse um sinal de fumaça com a letra A, de amigo. Vamos dar uma volta? Claro vamos... E a volta terminava novamente naquele lugar.
Era lá também que nossos pais costumavam buscar a gente, seja no grito, seja passando por lá ou até mesmo esperando voltar de passeios como Paquetá. E a bronca começava lá mesmo, na esquina da rua! Esquina de festa de rua, da famosa festa da Carlinda... Uma pena ter acabado. Vamos sentir falta daquele lugar, das partidas de “cinco cortes” com o Clayton gritando “eu sou pequeninho” quando a gente reclamava por ele nunca alcançar a bola...
Mas a esquina tem herdeiros, tem criança nova na área, e a bolinha de gude – agora no asfalto – ainda vai rolar por muito tempo. Disputando espaço com as bonecas das meninas. Futuras mulheres que ali naquele mesmo canto serão comentadas pelos garotos. É um ciclo interessante de se ver, o futebol dos pequenos acontece descalço, com as pedras marcando o gol. Exatamente como no nosso tempo! É fácil entender que amigo de verdade, se faz nas esquinas como esta da Francisco Carlos com a Carlinda.
Um feliz dia do amigo!
Abs, Paulinho.
